Bem vindo ao Anti-Religiosidade!

Combatendo heresias e compartilhado o amor e unidade do Evangelho,

sem estruturas, hierarquias ou complicações.

No programa Vitória em Cristo de semana passada o filho do Pr. Silas Malafaia declarou que seu pai anunciaria, no final, seu “mega projeto social” que abençoaria muitas vidas. Ao ouvir isso fiquei na expectativa, afinal será que Malafaia teria resolvido ajudar os desfavorecidos ao invés de ajuntar tesouros na terra?
Realmente seria um sonho o Malafaia mudar seu discurso da Teologia da Prosperidade de um dia para o outro. Seria um sonho vê-lo desprendido dos bens materiais em favor do próximo. Seria um sonho vê-lo vivendo o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. No final do programa, o próprio Malafaia explicou seu “mega projeto social” (assista ao vídeo abaixo, cerca de 17 minutos):


Pois é, o “mega projeto social” do Malafaia nada mais é do que sua parceria com uma seguradora para a venda de seguros de vida bem populares, propagandeados como algo “inédito” no mercado brasileiro.
Mas será mesmo?
O tal seguro de vida do Malafaia cobre apenas morte acidental em transporte coletivo (50 mil) e morte acidental (25 mil). Se você adquirir o seguro e tiver morte natural, ou decorrente de uma doença que poderá adquirir com o passar dos anos, seus beneficiários não receberão nada. Ora, é muito mais fácil morrer de morte natural ou por doença do que por acidente! Mas vamos lá…
Fora isso, o tal seguro inédito do Malafaia prevê desconto em farmácias e desconto em procedimentos médicos (consulta e exames). Como o tal seguro tem como público-alvo as classes D e E (que andam de transporte coletivo, uma das coberturas), mesmo com desconto é meio difícil esse pessoal poder usufruir de consultas e exames pagos. Mas ainda assim vamos lá…
O tal seguro também tem cobertura residencial para incêndio, raio, explosão e implosão (50 mil). Ora, é sabido que seguro residencial é o mais barato possível, uma vez que as taxas de sinistro são baixíssimas. E como as coberturas anunciadas são as mais básicas possíveis, e esse tipo de seguro só cobre residências em alvenaria e que não estejam em reforma ou construção (e casa de pobre passa anos em reforma ou construção, até ser finalmente finalizada), muita gente que adquirir o tal seguro do Malafaia não poderá usufruir dessa cobertura, embora isso não tenha sido veiculado abertamente pelo tal (im)pastor
A propósito, informações veiculadas abertamente não são o forte de instituições bancárias e securitárias. Normalmente, para garantir a venda, o vendedor apenas pincela os benefícios do produto em questão, enquanto o consumidor apenas assina enormes contratos com letras pequenininhas e termos jurídicos que inviabilizam, para muita gente, entender o que realmente está comprando. Aí, na hora do sinistro, do desespero, após anos e anos pagando pelo produto, muitas vezes o consumidor acaba ficando no prejuízo por não ter atentado para os “poréns” que impedem o pagamento do seguro.
Assim, como bom vendedor que é, o Malafaia expôs apenas as vantagens e deu o telefone e o site para a contratação do seguro, que custa R$ 9,99.
Cá para nós, esse preço está bem alto, levando em conta que não cobre morte natural. As instituições financeiras brasileiras também possuem seguros direcionados para o público de baixa renda, contendo assistências adicionais à cobertura de morte mais utilizáveis e por preços melhores:

BB Seguro Vida
Cobertura de morte natural e acidental, indenização extra
Assistências pessoal em viagem, desconto em farmácia (isso não é inédito, Malafaia!), chaveiro residencial e auxílio-funeral de R$ 3.000,00.
Preço: R$ 8,39 por mês

Vida da Gente (CEF)
Cobertura de morte natural e acidental.
Assistências funeral, check-up lar, auxilio alimentação de R$ 1.000,00 em caso de sinistro, assistência viagem, 4 sorteios mensais de R$ 15.000,00.
Preço: R$ 9,26 por mês
Como para garantir a venda vale tudo, vale até chamar a parceria entre o Malafaia e a tal seguradora de “Rede Abençoadora”. Afinal, se está abençoando é porque é algo de Deus. E, se é algo de Deus, os crentes não podem perder essa chance!
Muito triste ver essa sutil mistificação de um reles negócio entre empresários (Malafaia e a seguradora) para melhor vender entre os crentes mais humildes. Sim, pois os crentes bancarizados já possuem seguros de vida dos bancos onde recebem seus salários ou guardam suas economias. Ou, se ainda não possuem, é porque assim decidiram, pois os bancos não se cansam de ofertar esse tipo de produto, que traz muita rentabilidade e ajuda a alavancar os pornográficos lucros que anunciam no início de cada semestre.
O que mais me assusta é que a venda de seguros gospel é só a ponta do iceberg malafaiano. Lembram-se que tempos atrás esse pastor se vangloriava de vender seus produtos nas revistinhas do Avon, mas talvez por conta de ameaça de boicote por parte dos homossexuais a parceria foi rompida? Meses depois o Malafaia anunciou sua própria “avon gospel“.
Pois é, o Edir Macedo (IURD) já possui seu próprio banco, o Banco Renner. Alguém duvida que num futuro não muito distante seja esse o objetivo do Malafaia? Hoje são seguros de vida gospel, amanhã previdência, depois o céu (ou melhor, o inferno) é o limite.
O pior é que não podemos nem mais nos escandalizar com o Malafaia, afinal, meses atrás, ele mesmo disse na abertura da FIC (Feira Internacional Cristã) que tudo isso “é business“…
Quanta tristeza!!! Quando pensamos que os líderes evangélicos brasileiros chegaram no fundo do poço da idolatria e da heresia, eles pegam a pá e cavam mais um pouco. O problema é que multidões têm seguido esses lobos devoradores, e junto a eles estão caindo cada vez mais fundo.
Que Deus abra os olhos do seu povo, e não permita que os Seus sejam feitos comércio:

“E também houve entre o povo falsos profetas, como  entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente  heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si  mesmos repentina perdição.
E muitos seguirão as suas dissoluções,  pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
E por avareza farão de vós negócio com  palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença,  e a sua perdição não dormita.” – 2 Pedro 2:1-3


Marcos Martins